Um brandon, tronco de abeto fendido, erguido na aldeia de Saint-Aventin, perto de Luchon; fotografia de Eugène Trutat, 1898

Fogueiras do solstício nos Pirenéus

Fêtes du feu du solstice d'été

Na Lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO

Foto: Original by Eugène Trutat (Born in 1840 - Dead in 1910) - Scan on Flickr by Bibliothèque de Toulouse, Public domain, via Wikimedia Commons

Na noite mais curta do ano, as aldeias dos Pirenéus descem da montanha com archotes acesos e ateiam fogo a uma fogueira erguida no largo. Em Luchon essa fogueira é um tronco de abeto de dez a doze metros, aberto à custa de cunhas de ferro, que o presidente da câmara e o pároco acendem juntos.

Fogo trazido da montanha

Na noite em que o sol está mais alto, comunidades das duas vertentes dos Pirenéus sobem, acendem archotes e descem com eles para atear uma fogueira construída segundo o uso do lugar. A UNESCO inscreveu a prática na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade em 2015, num processo único partilhado por França, Espanha — Aragão, Catalunha e Vale de Aran — e Andorra.

A descida é conduzida pelos jovens. O texto da UNESCO di-lo com clareza: a noite marca a passagem da adolescência à idade adulta; quem leva os archotes são os jovens da aldeia e, em muitos lugares, as raparigas solteiras esperam-nos com vinho e doces. Quem acende a primeira fogueira depende do costume local — o presidente da câmara, o pároco, ou os homens casados mais recentemente nesse ano. A transmissão faz-se nas famílias, apoiada por uma rede de associações locais.

O brandon de Luchon

Em França, o mais bem guardado destes fogos é o brandon de Bagnères-de-Luchon, no Alto Garona, e das aldeias do seu cantão. Brandon quer dizer ramo verde; em occitano pronuncia-se brandou. A fogueira é um abeto de dez a doze metros, fendido ao comprido e à volta com cunhas de ferro; cunhas de madeira mantêm as fendas abertas, aros de ferro impedem o tronco de se partir, e os intervalos são cheios de aparas e palha. Ergue-se de pé, e o presidente da câmara e o pároco acendem-no juntos.

O cortejo que traz o fogo é encabeçado pelas associações da vila: a banda municipal, fundada em 1875, o rancho Les Fils de Luchon, fundado em 1934, e a companhia dos guias a cavalo, com bailadores de traje antigo a levar flores e pequenos archotes. O tronco arde perto de uma hora antes de cair. Então os rapazes correm a arrancar tições às brasas e a fazê-los girar, perseguindo as raparigas com o fumo e a fuligem, enquanto os mais velhos juntam pedaços de madeira já fria: um fragmento carbonizado levado para casa daria sorte à família durante o ano.

Não uma noite, mas várias

A data antiga é a véspera de São João, 23 de junho, com uma segunda fogueira nalguns lugares no dia de São Pedro, a 29. Na prática, o calendário é local. Luchon queima o seu brandon num sábado próximo do solstício — em 2026 foi a 20 de junho — na esplanada do parque termal, e oito aldeias vizinhas acendem a sua em noites seguintes, de modo que os fogos se prolongam até ao fim de junho e aos primeiros dias de julho. Não há programa central. O posto de turismo do vale publica as datas todas as primaveras, aldeia a aldeia.

Quando acontece

As fogueiras pertencem à noite de São João, à volta de 23 e 24 de junho, mas cada município marca a sua própria noite. Luchon queima o seu brandon num sábado próximo do solstício, e as aldeias do vale seguem em noites posteriores, até ao início de julho. Pergunte no local, ou no posto de turismo do vale, antes de viajar por causa de uma delas.

  • 23 – 24 de junho de 2027Estimada
  • 23 – 24 de junho de 2028Estimada
  • 23 – 24 de junho de 2029Estimada
  • 23 – 24 de junho de 2030Estimada

Visitar com respeito

Bom saber

  • É um rito de aldeia a que os de fora podem assistir, não um espetáculo montado para eles. Fique onde os organizadores o puserem e deixe passar o cortejo.
  • As associações que levam o fogo — a banda, os ranchos folclóricos, os cavaleiros — conduzem a noite. Aplauda-as; não caminhe no meio delas.
  • Se lhe estenderem um pedaço de madeira carbonizada, aceite-o. Levá-lo para casa é o sentido do costume, não uma lembrança arrancada ao fogo.

Evite

  • Não tire você mesmo madeira a arder da fogueira. Quem o pode fazer, e quando, decide-se na aldeia.
  • Não estacione no percurso do cortejo nem deixe o carro no largo — as ruas são estreitas e o fogo é grande.

Segurança

  • Um tronco de dez metros arde cerca de uma hora e depois desaba numa chuva de faúlhas. Fique bem atrás, sobretudo com crianças, e não use roupa que derreta.
  • Estradas de montanha à noite, muitas vezes sem iluminação nem rails. Conduza devagar e estacione onde lhe disserem.
  • Aplicam-se os conselhos de viagem habituais para França; consulte as páginas do seu ministério dos Negócios Estrangeiros antes de partir.

Fontes

Esta entrada foi escrita a partir das fontes seguintes.

  1. Summer solstice fire festivals in the PyreneesUNESCO · consultado em 24 de setembro de 2026
  2. Le brandon de Bagnères-de-Luchon — fiche d'inventaire du patrimoine culturel immatérielPCI Lab, inventaire national du patrimoine culturel immatériel · consultado em 24 de setembro de 2026
  3. Brandon de la Saint-Jean : la fête du feu pyrénéen à LuchonHaute-Garonne Tourisme (Pyrénées 31) · consultado em 24 de setembro de 2026
  4. France travel advice: safety and securityUK Foreign, Commonwealth & Development Office · consultado em 24 de setembro de 2026

Comentários

Já lá esteve? Conte a outros leitores o que podem esperar.

Ainda não há comentários.

Os comentários são lidos pelo dono do sítio antes de aparecerem.

Festas relacionadas

SuéciaSazonal

Midsommar

Numa sexta-feira do fim de junho os suecos deixam as cidades pelo campo, colhem flores para grinaldas, erguem um mastro coberto de folhas e dançam à sua volta — e depois sentam-se para comer arenque, batatas novas e bolo de morangos enquanto a luz se demora noite dentro.

25 – 26 de junho de 2027Calculada

EspanhaSazonal

Las Fallas

Falles

Em março, Valência enche as ruas de esculturas satíricas gigantes de cartão e papel machê, estremece ao meio-dia com o trovão dos foguetes e, na noite de 19 de março, deita fogo a todos os monumentos para dar as boas-vindas à primavera.

15 – 19 de março de 2027Calculada

IrãSazonal

Chaharshanbe Suri

چهارشنبه‌سوری

Na véspera da última quarta-feira do ano iraniano, fogueiras são acesas nos quintais, nas ruas e nos telhados, e as pessoas saltam por cima das chamas, pedindo ao fogo que leve a sua palidez e lhes dê o seu brilho vermelho para o ano que começa.

16 de março de 2027Calculada