
Heritage Day
Foto: Local Is Lekker ZA, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
O 24 de setembro era o Dia de Shaka no KwaZulu-Natal, e o novo parlamento deixou-o fora da lista de feriados em 1994. O acordo foi um dia em que a herança de todos contasse. Depois um publicitário do vinho passou uma década a convencer o país a passá-lo junto ao lume, e em boa medida conseguiu.
O que o dia era antes de ser isto
No KwaZulu-Natal, o 24 de setembro era o Dia de Shaka: a evocação do rei zulu que soldou os clãs nguni numa nação e morreu em 1828. As pessoas juntavam-se no seu memorial para o honrar.
Quando o primeiro parlamento pós-apartheid apresentou a lei dos feriados em 1994, a data não lá estava. O Inkatha Freedom Party, de filiação largamente zulu, opôs-se à omissão. Da discussão não saiu o Dia de Shaka restituído nem abolido, mas uma terceira coisa: um dia em que todos os sul-africanos pudessem observar e celebrar as diversas heranças que tinham trazido ao país. Tornou-se feriado em 1995, com o nome que ainda tem.
É um tipo particular de solução — aquela a que um país chega quando decidiu que nenhum passado único será o oficial. É também, inevitavelmente, um compromisso, e há quem sinta que tirou algo ao KwaZulu-Natal e não o deu a ninguém em particular.
E depois o lume
Em 2005, Jan Scannell — que se faz chamar Jan Braai — teve a ideia de que a única coisa que os sul-africanos de qualquer origem fazem é cozinhar carne sobre lenha, e que podia ser para isso que o dia servisse. Chamou-lhe National Braai Day, mais tarde Braai4Heritage.
Em 2007 convenceu o arcebispo emérito Desmond Tutu a ser o porta-voz nacional da campanha. O argumento de Tutu era sobre a palavra, não sobre a carne: onze línguas oficiais, notou ele, e uma só palavra para a coisa. «É braai em xhosa, é braai em afrikaans, é braai em inglês, é braai em seja o que for. E tem um potencial fantástico para nos unir.» Falava do dia 24 como aquele em que o país se juntaria «à volta de um só lume» e seria «sul-africanos a fazer uma coisa juntos».
O Conselho Nacional do Património não se deixou convencer de início: em 2007 rejeitou a ideia por banalizar um dia dedicado à herança. No ano seguinte, em 2008, apoiou a campanha.
O que acontece de facto
As duas coisas, quase sempre ao mesmo tempo. Escolas e empresas organizam actos sobre o património e as pessoas aparecem com o traje daquela das culturas do país que é a sua — missangas, xibelani, o que for. E depois um número muito grande de casas acende um lume à tarde e fica de pé à volta.
Se isso é um ritual nacional ou uma campanha publicitária que resultou continua em discussão, e a discussão faz parte do dia.
Quando acontece
24 de setembro. Quando a data calha a um domingo, o feriado passa para a segunda-feira seguinte.
- 24 de setembro de 2027Calculada
- 24 de setembro de 2028Calculada
- 24 de setembro de 2029Calculada
- 24 de setembro de 2030Calculada



Fontes
Esta entrada foi escrita a partir das fontes seguintes.
- Heritage Day (South Africa)Wikipedia · consultado em 26 de setembro de 2026
- Heritage Day, Braai Day or Shaka Day: Whose Heritage is it Anyway?South African History Online · consultado em 26 de setembro de 2026
Festas relacionadas

Carnaval dos Minstrels da Cidade do Cabo
Kaapse Klopse
Nos primeiros dias de janeiro, cerca de 20 mil minstrels em uniformes brilhantes iguais, com sombrinhas, banjos, trompetes e tambores ghoema, desfilam trupe após trupe por Green Point — o “Segundo Ano Novo” da Cidade do Cabo, enraizado no único dia de liberdade outrora dado às pessoas escravizadas.
janeiro de 2027Período aproximado

Dia de Waitangi
Te Rā o Waitangi
O dia nacional da Nova Zelândia marca a assinatura do Tratado de Waitangi em 6 de fevereiro de 1840 entre a Coroa britânica e chefes maoris — com um ofício ao amanhecer, discursos, kapa haka e waka na baía dos Treaty Grounds, e por vezes com protesto e debate.
6 de fevereiro de 2027Calculada

Homowo
O povo ga de Acra recorda uma fome rindo-se dela: depois de semanas em que os tambores e o barulho são proibidos, os chefes espalham kpokpoi — milho cozido a vapor com óleo de palma — pelas ruas, e os tambores voltam para «vaiar a fome».
agosto – setembro de 2026Período aproximado
Comentários
Já lá esteve? Conte a outros leitores o que podem esperar.
Ainda não há comentários.
Os comentários são lidos pelo dono do sítio antes de aparecerem.