
Sete frutos secos, postos de molho até incharem e largarem o seu açúcar, servidos na calda que eles próprios fizeram. É a resposta afegã às sete coisas da mesa do Nowruz — não sete objectos para olhar, mas sete frutas numa taça para comer.
Sete frutas, uma taça
Haft mewa quer dizer sete frutas. Descreve-se como uma salada de frutas feita de sete frutos secos diferentes, servida na sua própria calda — e a calda não é acrescentada: é o que a fruta larga para a água em que fica de molho.
Os sete são passas, senjed — o fruto seco da oliveira-do-paraíso —, pistácios, avelãs, ameixas secas, nozes e amêndoas; algumas casas põem ameixa no lugar destas últimas. Lavam-se e ficam dias na água, e o que sai está inchado, mole e doce, num líquido de âmbar pálido que sabe às sete ao mesmo tempo.
Põe-se na mesa para o Nowruz e come-se à colher. Onde uma casa iraniana dispõe o haft-sin, sete coisas cujos nomes persas começam pela letra sin, uma casa afegã faz o haft mewa: não sete objectos arrumados para serem vistos, mas sete frutas numa taça para serem comidas.
Ao lado do outro caldeirão
O outro prato do ano novo afegão é o samanak, a pasta doce de trigo germinado que se coze na véspera do Nowruz ou uns dias antes. Faz-se pela noite: as mulheres da casa juntam-se, cozem do anoitecer até o dia clarear e cantam uma canção que pertence a essa cozedura. O haft mewa não precisa de lume nem de vigia — precisa apenas de ser começado a tempo.
Quanto custa agora
O Nowruz foi retirado da lista de feriados oficiais depois de 2021, e o que dele resta é em grande parte privado. Moradores de Cabul disseram a jornalistas em 2025 que as comidas tradicionais do Nowruz se tinham tornado incomportáveis para famílias já em dificuldade. Uma taça de sete frutos secos é coisa modesta, e é também sete compras separadas num bazar.
Quando se come
Nowruz e os dias em redor. Faz-se uns dias antes para que a fruta tenha tempo de amolecer e adoçar a água em que está.
Onde o vai encontrar
- Uma casa no Nowruz, numa taça ao meio da mesa, comido à colher e oferecido a quem chega.
- Mazar-i-Sharif durante o Gul-e Surkh, os quarenta dias em que o maior ajuntamento de ano novo do país enchia a cidade.
- O bazar nas semanas antes do ano novo, onde os sete se compram secos e a peso.
O atlas nomeia ocasiões e tipos de lugar, nunca um restaurante em concreto. Não podemos julgar uma cozinha daqui, e uma recomendação que não conseguíssemos verificar valeria menos do que nenhuma.
O que leva
- Passas.
- Senjed, o fruto seco da oliveira-do-paraíso.
- Pistácios.
- Avelãs.
- Ameixas secas.
- Nozes.
- Amêndoas — ou, nalgumas casas, ameixa no lugar delas.
À mesa
Bom saber
- Faz-se para as visitas. A taça fica à vista e a quem chega dá-se um pouco.
- Comece cedo. Não é um prato que se monte no próprio dia; a fruta precisa de dias na água.
- Não o escorra. A calda é o essencial e bebe-se com a fruta.
Evite
- Não o confunda com o haft-sin iraniano. Esse são sete coisas sobre uma mesa cujos nomes começam pela mesma letra; isto são sete frutas numa taça, e é comida.
- Não lhe junte açúcar. A doçura sai da fruta para a água, e é aí que está todo o truque.


Fontes
Esta entrada foi escrita a partir das fontes seguintes.
- Nowruz in AfghanistanWikipedia · consultado em 29 de setembro de 2026
- Afghans No Longer Celebrate Nowruz Amid Poverty, Taliban RestrictionsRadio Free Europe / Radio Liberty · consultado em 29 de setembro de 2026
Come-se em

Gul-e Surkh
میلهٔ گل سرخ
A festa da Flor Vermelha em Mazar-i-Sharif corria pelos primeiros quarenta dias do ano, enquanto as túlipas estavam nas planícies à volta da cidade. O hastear do estandarte no santuário atraía até duzentas mil pessoas — o maior ajuntamento de Nowruz alguma vez registado.
21 de março – 29 de abril de 2027Calculada
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O trigo é demolhado, deixado a germinar durante dias, esmagado e fervido uma noite inteira. Nada de doce lhe entra e sai dali algo muito doce. É uma das sete coisas da mesa de Nowruz, e a única que tem de ser cozinhada em vez de comprada ou colhida.