Uma taça de vidro de haft mewa — senjed, jujubas, pistácios, nozes, passas e amêndoas de molho na sua própria calda

Haft Mewa

هفت میوه

Foto: Ahmad Waleed, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Sete frutos secos, postos de molho até incharem e largarem o seu açúcar, servidos na calda que eles próprios fizeram. É a resposta afegã às sete coisas da mesa do Nowruz — não sete objectos para olhar, mas sete frutas numa taça para comer.

Sete frutas, uma taça

Haft mewa quer dizer sete frutas. Descreve-se como uma salada de frutas feita de sete frutos secos diferentes, servida na sua própria calda — e a calda não é acrescentada: é o que a fruta larga para a água em que fica de molho.

Os sete são passas, senjed — o fruto seco da oliveira-do-paraíso —, pistácios, avelãs, ameixas secas, nozes e amêndoas; algumas casas põem ameixa no lugar destas últimas. Lavam-se e ficam dias na água, e o que sai está inchado, mole e doce, num líquido de âmbar pálido que sabe às sete ao mesmo tempo.

Põe-se na mesa para o Nowruz e come-se à colher. Onde uma casa iraniana dispõe o haft-sin, sete coisas cujos nomes persas começam pela letra sin, uma casa afegã faz o haft mewa: não sete objectos arrumados para serem vistos, mas sete frutas numa taça para serem comidas.

Ao lado do outro caldeirão

O outro prato do ano novo afegão é o samanak, a pasta doce de trigo germinado que se coze na véspera do Nowruz ou uns dias antes. Faz-se pela noite: as mulheres da casa juntam-se, cozem do anoitecer até o dia clarear e cantam uma canção que pertence a essa cozedura. O haft mewa não precisa de lume nem de vigia — precisa apenas de ser começado a tempo.

Quanto custa agora

O Nowruz foi retirado da lista de feriados oficiais depois de 2021, e o que dele resta é em grande parte privado. Moradores de Cabul disseram a jornalistas em 2025 que as comidas tradicionais do Nowruz se tinham tornado incomportáveis para famílias já em dificuldade. Uma taça de sete frutos secos é coisa modesta, e é também sete compras separadas num bazar.

Quando se come

Nowruz e os dias em redor. Faz-se uns dias antes para que a fruta tenha tempo de amolecer e adoçar a água em que está.

Onde o vai encontrar

  • Uma casa no Nowruz, numa taça ao meio da mesa, comido à colher e oferecido a quem chega.
  • Mazar-i-Sharif durante o Gul-e Surkh, os quarenta dias em que o maior ajuntamento de ano novo do país enchia a cidade.
  • O bazar nas semanas antes do ano novo, onde os sete se compram secos e a peso.

O atlas nomeia ocasiões e tipos de lugar, nunca um restaurante em concreto. Não podemos julgar uma cozinha daqui, e uma recomendação que não conseguíssemos verificar valeria menos do que nenhuma.

O que leva

  • Passas.
  • Senjed, o fruto seco da oliveira-do-paraíso.
  • Pistácios.
  • Avelãs.
  • Ameixas secas.
  • Nozes.
  • Amêndoas — ou, nalgumas casas, ameixa no lugar delas.

À mesa

Bom saber

  • Faz-se para as visitas. A taça fica à vista e a quem chega dá-se um pouco.
  • Comece cedo. Não é um prato que se monte no próprio dia; a fruta precisa de dias na água.
  • Não o escorra. A calda é o essencial e bebe-se com a fruta.

Evite

  • Não o confunda com o haft-sin iraniano. Esse são sete coisas sobre uma mesa cujos nomes começam pela mesma letra; isto são sete frutas numa taça, e é comida.
  • Não lhe junte açúcar. A doçura sai da fruta para a água, e é aí que está todo o truque.

Fontes

Esta entrada foi escrita a partir das fontes seguintes.

  1. Nowruz in AfghanistanWikipedia · consultado em 29 de setembro de 2026
  2. Afghans No Longer Celebrate Nowruz Amid Poverty, Taliban RestrictionsRadio Free Europe / Radio Liberty · consultado em 29 de setembro de 2026

Come-se em

AfeganistãoAno novo

Gul-e Surkh

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A festa da Flor Vermelha em Mazar-i-Sharif corria pelos primeiros quarenta dias do ano, enquanto as túlipas estavam nas planícies à volta da cidade. O hastear do estandarte no santuário atraía até duzentas mil pessoas — o maior ajuntamento de Nowruz alguma vez registado.

21 de março – 29 de abril de 2027Calculada

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