
Carnaval de Santiago de Cuba
Foto: Christian Pirkl, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons
Uma semana de julho em que a segunda cidade de Cuba entrega as ruas à conga — tambores, enxadas, frigideiras e uma corneta chinesa que atravessa tudo isso — e os bairros caminham atrás das suas próprias formações, num aperto em movimento a que se chama arrollar.
Santos, e depois o Estado
O carnaval santiaguero cresceu das festas de santos que se acumulam nesta altura do ano: São João a 24 de junho, São Pedro a 29, Santa Cristina a 24 de julho, Santiago Apóstolo a 25, Santa Ana a 26. Foi a festa do padroeiro Santiago Apóstolo que pôs a coisa a andar no século XVII, e no fim do século XIX a cidade chamava-lhe indiferentemente carnaval de verão ou festas de Santiago.
O lado africano vem pelos cabildos — as associações de africanos escravizados e libertos, os congos, os carabalíes e os chamados franceses —, a quem era permitido sair em procissão no Dia de Reis, a 6 de janeiro, e nas festas do padroeiro, e cujas procissões se tornaram comparsas de rua.
O dia 26 carrega hoje um segundo sentido. O assalto ao quartel Moncada em 1953 foi marcado para o carnaval, com a cidade cheia e a guarnição menos atenta. A data deu nome a um movimento e depois a um feriado nacional, e fica dentro da semana de carnaval.
A conga e a corneta
A conga santiaguera é ao mesmo tempo um ritmo e o grupo que o toca. Assenta em tambores — as piloneras, as galletas, o requinto, os bocúes — e em metal: ferros, enxadas, frigideiras, sinos escolhidos pelo modo como soam uns contra os outros. Por cima de tudo isso vai a corneta china, um instrumento de palheta dupla saído do bairro chinês de Havana e único sopro do grupo. A EcuRed data a sua chegada ao carnaval de 1916; Rafael Brea López situa-a entre 1913 e 1915 e chama-lhe o mais importante contributo da cultura chinesa para a música folclórica cubana. É um som pequeno e penetrante que se impõe a várias centenas de pessoas a percutir, e foi por isso mesmo que se adoptou.
Cada grupo pertence a um bairro. Los Hoyos, onde se dá por nascida a forma clássica do ritmo, apareceu em 1902; Paso Franco em 1911; El Guayabito por volta de 1915; San Agustín em 1922; Alto Pino nos anos quarenta. Saíram de El Tivolí, da Plaza de Marte e de Los Hoyos — os velhos bairros populares da cidade colonial — e o formato que tocam fixou-se nos primeiros anos da República, depois de 1902.
Arrollar
O que a multidão faz é arrollar. Não há boa tradução. A conga avança pela rua a tocar, e as pessoas colam-se atrás e vão com ela, apertadas, enquanto durar: uma cerimónia colectiva de fortes emoções, e acontece tanto nos dias antes do carnaval como durante. Os carros alegóricos e as comparsas iluminadas saem de noite na Avenida Garzón, mas a conga na rua é a parte que pertence à cidade e não ao programa.
Quando acontece
De 21 a 27 de julho. O centro é o 25 de julho, dia de Santiago Apóstolo, padroeiro da cidade; o 26 de julho é também o aniversário do assalto ao quartel Moncada em 1953, ocorrido durante o carnaval.
- 21 – 27 de julho de 2027Estimada
- 21 – 27 de julho de 2028Estimada
- 21 – 27 de julho de 2029Estimada
- 21 – 27 de julho de 2030Estimada



Fontes
Esta entrada foi escrita a partir das fontes seguintes.
- Carnaval de Santiago de CubaEcuRed · consultado em 26 de setembro de 2026
- Conga santiagueraEcuRed · consultado em 26 de setembro de 2026
- Carnaval de Santiago de Cuba: congas y tamboras (Rafael R. Brea López, Memorias, vol. 40, 2020)Universidad del Norte · consultado em 26 de setembro de 2026
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